Atualmente, o futuro está no meio de um triângulo amoroso
Com a calamidade e eu, no canto, começando a sentir o desconforto.
Devo apagar as velas ou atiçar as chamas?
Brandon Boyd - Runaway Train
Diário de Anne Kirsten.
Passou-se duas semanas depois do ocorrido, já estou melhor, meus ferimentos com os cuidados necessários foram cicatrizando sem deixar marcas.
Bill e Tom andaram quietos esses dias, sempre conversando as escondidas, sinto que esses dois me escondem algo, mas quem sou eu pra pedir explicações? Dafne e Dhany foram expulsas da casa após zombar de mim no estado em que eu estava, Dafne afirmou que a surra pra mim, foi pouca, ainda sinto a dor da tapa que Tom deu nela, aquela cena realmente será inesquecível.
Bom meus últimos dias não foram tão bons, Bill teve medo de se aproximar de mim, não sei se pela feiúra ou por cuidado.
Mas enfim, hoje finalmente sairei para ver o sol direito, ainda não decidimos quando iremos juntos dar á Richard o que tanto merece pelo o que me fez...
-Bom dia flor do dia! – assusta-me Gustav entrando no quarto de hospedes.
-Ta louco? Quer me matar do coração? – perguntei o vendo entrar com um sorriso de orelha a orelha.
-Os gêmeos têm a educação de bater antes, eu não! – diz debochadamente.
-E o que quer hein chatinho? – perguntei vendo dessa vez um jornal em sua mão.
Gustav jogou o jornal em meu colo para que eu pudesse ler.
“Uma operação da Polícia Federal resultou na apreensão, no final da tarde de quinta-feira, de cerca de quatro toneladas de cocaína em Berlin. A carga estava camuflada em contêineres carregados de madeira e seguiria para Hamburg na madrugada de sexta feira...”
-Não vai me dizer que os gêmeos querem essa carga? – perguntei terminando de ler a noticia.
-Se eles irão querer, não sei. Mas Georg ouviu Eva conversando com Richard essa manhã, ele também mexe com drogas Anne, seu forte mesmo são mercadorias, mas drogas também fazem parte de seu trabalho... A questão é que Eva quer tentar exterminar os gêmeos, porque com certeza eles irão atrás dessa carga, por isso mandou seu querido filho também disputar pela carga, somente com a intenção de provocar uma possível guerra entre as gangues...
-Filha da puta, e o que tem em mente? Se é que tem algo! – perguntei sem conseguir pensar em algo.
-Envolver a gangue de Marco, tentar fazer uma guerra entre as duas e não nos envolvendo, assim enquanto as duas estiverem em guerra, poderemos ter um grande lucro com a mercadoria, lógico que teremos de correr o risco de nossos planos não derem certo, mas não custa nada tentar! – diz me fazendo ficar pensativa.
-Tenho que falar com os gêmeos!
-Sim, foi por isso que vim até você, obviamente você tem muito mais chance de agradar com a idéia, já eu não tenho chance nenhuma! – diz sorrindo.
-Ok, tentarei convencê-los! – afirmei indo guardar meu diário.
Gustav não tinha problema em saber onde estava escondido aquele bendito diário, ele já sabe mesmo quem eu sou.
Saímos os dois juntos do quarto, ele foi para a cozinha e eu fui atrás dos gêmeos que conversavam na beirada da piscina, Bill com um jornal nas mãos e Tom mexendo em seu notebook, torci para que Bill estivesse lendo a mesma noticia que li minutos atrás.
-Acha que vale a pena? – pergunta Tom ao irmão sem perceber minha presença.
-Lógico que vale, mas nem pense em envolvê-la nessa...
-Ela quem? – perguntei vendo os dois se virarem espantados para mim.
-Oi Anne! – diz Bill escondendo o jornal e Tom fechando o notebook.
-Já li esse jornal Bill, não adianta esconder... – comecei me sentando entre eles. –Mas então, o que temos em mente? – perguntei como se nós três fossemos um só, óbvio que os dois me olharam confusos.
-Nós? Está querendo dizer Tom e eu, não é mesmo Anne? – pergunta Bill fazendo careta.
-E eu? – perguntei ofendida. –Vão querer me excluir dessa é? – perguntei mais uma vez fazendo cara de coitada.
-Anne depois da ultima vez...
-Não Bill, por favor, não dessa vez! – pedi o olhando profundamente.
-Anne pode ser arriscado poxa, tudo bem que agora você já está bem “crescidinha” nesse assunto, mas depois da surra que levou do Richard... Ah cara não sei de mais nada! – Tom não terminou.
-Não vou aceitar ser exclusa dessa, até por que tenho uma idéia pra conseguir essa carga! – comecei vendo seus olhares voltarem mais curiosos ainda para mim.
-Diga o que é então, sabe tudo! – pede Bill num tom debochado.
-Bom fiquei sabendo que Richard está interessado nessa carga...
-Como ficou sabendo? E por que aquele traste iria querer drogas se o forte dele é mercadorias? – pergunta Bill estranhando o fato de eu saber.
-Oras Bill, tenho meus informantes...
-Quem? – me interrompe mais uma vez.
-Dá pra parar de interromper... – pedi fazendo uma cara nervosa. -Primeiro quem é meu informante, isso nunca irei te dizer, segundo voltando ao assunto, possa ser que a idéia dê certo! – continuei os vendo virarem os rostos em desacordo.
-Nem vem com idéinhas Anne, não vai e ponto! – diz Bill convicto.
-Que merda Bill, pelo menos me ouve? – pedi nervosa.
-Fala logo Anne, mas saiba que não aceitarei! – diz me fazendo revirar os olhos...
Passei para os dois todo o plano de Gustav, Tom ficou calado desde o inicio apenas ouvindo, Bill em cada palavra minha retorcia mais o bico me deixando claro mega nervosa, no fim de tudo os dois se entreolharam pensativos, como se estivessem conversando pelo olhar.
-Vocês poderiam parar? Odeio quando vocês conversam em silêncio. Aliás, odeio essas coisas de gêmeos! – exclamei revirando os olhos.
-Bom, fazer as duas gangues inimigas se enfrentarem até que não é má idéia, até porque seria uma boa pra nós aproveitarmos e dar o golpe final! – diz Bill pensativo.
-Não nos envolveríamos e ainda pegaríamos a carga! Nem precisaríamos sujar as nossas mãozinhas. – completei vendo Tom sorrir e Bill continuar pensativo.
-Mas, nós dois vamos. Você fica já sofreu demais, Anne...
-Bill, sofri sim, mas cada um desse sofrimento me fez ficar cada vez mais forte. Cada dia meu coração fica mais duro! – o interrompi com os olhos já cheios de lágrimas.
- Anne...
- Bill, eu vou e você sabe que nada e ninguém vai me impedir.
Estava começando a levantar para sair batendo os pés quando ele interveio.
-Anne, ok! Vamos os três! Falar com você e com essa cadeira é a mesma coisa que nada! – diz apontando para uma cadeira na beira da piscina.
- Bill, obrigada meu lindo! – alegrei-me voltando para lhe dar um beijo.
- Mas eu dou as ordens e você ficará sempre ao meu lado. – completa me abraçando de lado.
-Vocês verão, vamos pegar essa carga e ainda acabaremos com esses dois como dois patinhos. – afirmei autoconfiante.
-Anne, eu quero morrer seu amigo. Você é má demais! – brinca Tom nos fazendo rir...
Nós três tomamos café na beira da piscina. Combinando os últimos detalhes. Mais tarde subi para tomar um bom banho e fui até o escritório sem bater antes.
-Amor, vou dar... Gordon? O que faz aqui? – perguntei estranhando a presença dele no escritório de Bill.
-Oi Nicole! Que bom te encontrar! Eu queria justamente falar com você. – diz levantando-se e vindo ao meu encontro.
-Comigo? - perguntei confusa.
-Sim, trouxe uns documentos para você assinar. Comprei um novo imóvel e preciso da sua assinatura para passar para o seu nome.
-Jura? – exclamei surpresa. -E onde fica?
-Ilhas Maldivas!
-Ilhas Maldivas? Acho um lugar lindo e muito romântico! – comentei sorrindo.
-É um belo lugar e a casa é linda, 12 quartos, uma suíte com piscina, hidro massagem e uma paisagem afrodisíaca! – diz orgulhoso.
-Parabéns, Gor...
Quando iria completar a frase, senti as mãos de Gordon se entrelaçarem em minha cintura sendo em seguida abraçada por trás pelo mesmo.
-Poderia levar você um dia se quisesse. Poderíamos ficar um fim de semana lá, daríamos uma desculpa qualquer para a familiazinha Kaulitz e partimos para o paraíso. O que acha? Só nós dois! – sussurra em meu ouvido achando aquilo tudo sexy.
Tudo o que queria era pegar uma caneta e perfurar o coração daquele desgraçado mil vezes. Filho da puta. Meu estômago estava revirando só de sentir aquele hálito podre em meu pescoço. Nem o estupro e nem a surra de Richard me deixava tão acabada e dolorida por dentro como aquela aproximação. Eu tinha que pegar forças do além para poder me conter quando estava na presença daquele assassino.
-Sim. Um dia! Agora preciso ler antes de assinar. – afirmei me esquivando pegando os papeis.
-Nicole minha querida você não confia em mim?
-Não, imagina confio sim. Afinal você é como um pai para mim. Vou ler e assinar depois peço ao Peter para te levar, pode ser?
-Sim, e se você quiser me entregar pessoalmente marcarmos em um lugar mais calmo e você se entrega, opa quer dizer me entrega!
-Não, ainda não estou bem e Bill não quer que eu saia ainda de casa.
-Uma pena! – diz se aproximando de minha boca.
Esquivei-me mais uma vez para poder pegar a caneta em cima da mesa, mas o desgraçado estava disposto a insistir...
-Senhora Nicole, o carro está pronto, a senhora irá se atrasar para o médico. – Gustav sempre chegava na hora certa.
Gordon olhou com raiva para ele, rapidamente peguei os papeis e saí correndo do escritório.
Entrei no carro feito um foguete. Gustav entrou e começou a dirigir, depois de uns quatro quarteirões adiante, ele parou e passou para o banco de trás.
- Obrigada! - essa foi a única palavra que consegui pronunciar antes de cair no choro em seu ombro.
Saí do carro rapidamente e vomitei toda minha raiva, meu ódio, minha dor e meu sofrimento.
- Não acredito que esse filho da mãe estava dando em cima de você. Dona Simone não merece isso! – diz ele me ajudando a voltar ao carro.
-Gustav, juro que quase o matei hoje! Se você não tivesse chegado eu o teria matado com toda certeza!
- Anne, Calma. Falta pouco! Ele esta passando as coisas dele para o seu nome, o idiota quer ser tão esperto que chega a ser burro! – diz tentando me acalmar.
-Não sei se vou agüentar. Quando estou perto dele só penso em sangue. Vejo a cena de minha casa pegando fogo, revivo àquela maldita noite! Meu pai, minha mãe... – o choro voltou novamente. Maldito! – sussurrei voltando a chorar em seu ombro.
Eu adorava o carinho e a preocupação que Gustav demonstrava por mim.
Confiava cegamente nele, e não havia outro em que poderia depositar tal confiança.
-Obrigada Gust mais uma vez, não sei se eu agüentaria sem você! – comecei o olhando. -Você me surpreendeu. – finalizei dando um beijo na bochecha do meu loirinho.
-Conte comigo sempre ruivinha! Estou do seu lado, e o que puder fazer para destruir aqueles que te fazem mal, farei! Seus inimigos são meus também! – afirma devolvendo o beijo em minha testa.
-Sabe querido você também pode contar comigo. Acho que a única coisa que Eva fez de bom foi colocar você do meu lado. Agora, falando em inimigos, você me deu uma ótima idéia, vou dar um oi para alguém muito especial! – mudei de assunto enxugando as lágrimas.
-Anne, não faça isso, vou te levar pra casa! Se acontecer algo contigo Bill vai me matar! – diz temeroso.
-Relaxa! Bill nem precisa saber. E outra é uma visita de paz e amor. Uma visitinha de amigo... Vamos logo vai, não seja medroso! – pedi sorrindo.
Ao chegar à frente o prédio, olhei para Gustav séria.
-Entra comigo e fica na escada de emergência, se ouvir qualquer tiro ou grito, você entra e me ajuda! Ok? – pedi ainda séria.
-Tem certeza que não quer que eu entre contigo?
-Não, fique lá, se ouvir algo você entra!
-Ok se cuida!
Nós dois nos entreolhamos e em silêncio, subimos pelo elevador...
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