segunda-feira, 27 de junho de 2011

Capítulo 47 - Never Gonna Be Alone




"Você nunca vai estar sozinha
De agora em diante
Mesmo que você pense em desistir
Não vou deixá-la cair
Você nunca vai estar sozinha
Vou te abraçar até a dor passar..."


Nickelback - Never Gonna Be Alone





Amanheci sendo observada por Tom que estava ao meu lado.

Ele me olhava sério, sem muita vontade de estar ali, virei para o outro lado não querendo encará-lo, a situação estava desagradável depois do gelo que me deu, não queria ficar ali com ele, fui salva pelo enfermeiro que entrou para dar à alta.




-Já pode ir moça, só passou a noite mesmo para descansar! – diz o desajeitado enfermeiro que havia parado na noite passada.

-Obrigada! – agradeci levantando.




Nem olhei para o Tom, entrei no pequeno banheiro do quarto junto de minha bolsa e fiz uma simples higiene bucal lavando o rosto em seguida.



-Não vai falar comigo? – pergunta me vendo abrir a porta para sair, ele permanecia sentado.

-E por que falaria depois do que me disse ontem à noite? Você me chutou Tom, não acredita que te amo! Não tenho por que falar com alguém que desconfia de minha palavra! – respondi virando para ele.



Tom se levantou e veio até mim.



-Não desconfio de sua palavra, mas creio que ama mais Bill do que a mim...

-Não, você é totalmente o contrario dele, enquanto ele tenta a todo custo impor ordens, você me enche de carinho, Tom vocês tem gênios tão diferentes e foi exatamente isso que me fez apaixonar-me pelos dois! – o interrompi já com os olhos marejados.

-Isso já passou dos limites Julie, por mais que eu te ame, não quero dividir mulher nenhuma com meu irmão! Pra mim já chega! – diz passando por mim saindo primeiro.




Mais uma vez Tom me deu um fora, porém dessa vez parecia ser definitivo, não vou chorar dessa vez, se ele quer assim, assim será.

Fui á recepção procurar saber se podia ver Gustav, recebi sinal verde.



Chegando a seu quarto o mesmo estava acordado, olhando para o nada. Aproximei-me sentindo o peito começar a dar leves pulinhos, era meu coração me avisando que estava pronto pra sair pulando pela boca...



-Oi! – diz me despertando do devaneio.

-Oi, como está? – perguntei me aproximando mais.

-Meu corpo ta dolorido, mas estou bem! E você?

-Gustav, sei que não deve sofrer por emoções fortes, mas não agüentarei por muito tempo, por que me escondeu o fato de ser meu...

-Irmão! – completa evitando me olhar.

-O que houve pra crescermos separados? – perguntei já querendo chorar, mas segurei firme pra não desabar em lágrimas.

-Selma tinha 25 anos quando se aproximou de nosso pai, ela trabalhava com Gordon nessa época, ele já havia tentado comprar as terras nesse tempo, como nada conseguiram e Eva havia acabado de perder seu segundo filho decidiu partir pra nossa mãe que na época tinha 30 e estava grávida de mim, já no final da gestação...

-Quem é Selma? – o interrompi já não segurando a curiosidade.

-Eva. É esse seu verdadeiro nome, Selma. Continuando, ela nunca aceitou que seu filho com Gordon tenha morrido, por isso como forma de vingança á rejeição da venda das terras, na noite de meu nascimento ela conseguiu comprar uma enfermeira para que me entregasse á ela, ou seja, fui criado longe de nossos pais Anne, longe de você! – diz por fim me fazendo chorar.

-Mas como foi criado por ela se Eva esteve todo o tempo ao meu lado como Pietra?

-Georg e eu vivíamos na verdade com Gena, uma senhora amiga de Selma, ela faleceu quando completei 15 anos, quando me roubou ela me mandou para Gena por que Gordon poderia querer me tomar dela como tomou Richard, do dia de seu óbito até hoje Georg e eu crescemos sozinhos, recebendo treinamentos de amigos da Selma, porém morando e se virando sozinhos!

-E Georg? Tem família?

-Ele era filho de Gena, sofreu tanto com sua morte, ela tinha um tumor maligno tentou operar, porém no dia da operação acabou falecendo na mesa de cirurgia!

-Coitado!

-E você minha querida amiga... E irmã, como passou a noite? O pessoal conseguiu a carga? – pergunta me alegrando com a palavra ‘irmã’’.

-Acabei dormindo depois de doar o sangue, mas antes disso passei por um sufoco daqueles, parecia que já sentia de alguma forma que tínhamos algum motivo forte pra gostarmos tanto um do outro, e saber que estava assim tão frágil me fez ter os piores sentimentos!

-É nunca pensei que você me livraria um dia de alguma enrascada, querendo ou não seu sangue me salvou, sou O- e só poderia receber do mesmo doador, sorte sermos irmãos numa hora dessas! – brinca colocando a mão no lugar atingido.

-Se eu não fosse compatível, entraria num desespero ainda maior, você não tem noção o aperto que senti no coração ao saber que foi atingido...

-Acabou, vamos deixar esse assunto pra lá ok? Mudando de assunto, que cara é essa? Pensa que não reparei?

-Tom me deu um fora!

-Jura? Idiota! Por que fez isso?

-Não sei, talvez eu sou apenas um objeto pra ele, sabe Gustav decidi sair da casa dos Kaulitz...

-O que? Justamente agora que está conseguindo a confiança do traste?

-Eu falhei Gustav, a verdade é que não tenho coragem de matar nem uma formiga...

-Anne presta atenção, nós precisamos conseguir nossas terras de volta, aquilo nos pertence, Gordon não poderá ficar com o que era nosso por direito...

-Gustav, o que temos já é o suficiente, vamos fugir meu irmão levamos Georg junto se ele quiser, mas eu não agüento mais ficar aqui e ainda mais agora que aquele verme decidiu dar em cima de mim!

-E Bill? Você o ama, quer mesmo ir para longe?



Senti uma pontada no coração, aquele tipo de pontada que dá quando se ama alguém, quando já se tornou dependente dessa pessoa, não queria abandoná-lo, não queria sair de suas vidas e nem muito menos desistir da vingança, mas já não dava mais.



-Ele logo me esquecerá! – respondi de cabeça baixa.



Gustav nada disse apenas me puxou para perto e após dar um beijo em minha testa me fez deitar por cima de seu peito acariciando meus cabelos em seguida.



Sem percebermos alguém nos observava do lado de fora.

Bill não estava gostando da cena, nunca pensou que eu me aproximaria tanto de um de seus empregados.



-Anne! – entrou no quarto me assustando. –Será que podemos conversar? Lá fora? – pergunta olhando sério.

-Claro!



Assim que saímos tentei lhe dar um beijo de bom dia, porém Bill se esquivou.



-Que tipo de relação é essa que tem com um empregado meu? – pergunta, desconfiado.

-Relação de amigos, somos amigos Bill, nada mais! – respondi calmamente.

-Amizade muito estranha essa de vocês, a partir do momento que ele sair desse hospital, está proibida de trocar uma sequer palavra com ele, tanto que, quando precisar de um motorista se eu não puder ou Leo ou Mateus irá te levar ao lugar desejado...

-Bill você ta prestando atenção na idiotice que está falando? Não tenho ABSOLUTAMENTE nada com Gustav, ele vem sendo como um irmão que nunca tive, será que dá pra parar de ser ciumento? O que deu em você e Tom? Por que estão me tratando como se fosse uma qualquer?

-Anne, esse seu comportamento é inaceitável, como pode nascer uma amizade assim do nada?

-Do nada não, vamos com calma, essa nossa amizade não nasceu do nada, Gustav esteve ao meu lado em tudo o que pensei fazer, sempre me dando apoio nas idéias mais loucas que tive nesses últimos dias, tudo o que há entre nós é apenas carinho de amigos!



Bill respirou fundo, pensei que aquela cabeça dura iria aceitar, mas enganei-me.



-Já está avisado, não o quero mais ao seu lado! – diz começando a andar. –Aliás, assim que melhorar o mandarei embora, quero que fique longe de você! – finaliza andando pelo corredor até a saída me deixando com cara de besta para trás.



Entrei correndo para o quarto de Gustav, o olhei bem antes de me aproximar.



-Preciso de uma nova identidade! – afirmei séria.

-O que?

-E você também, precisará de uma nova identidade!

-Do que está falando Anne?

-Vamos sair do país, se eu for como Anne mesmo Bill poderá ir atrás de nós e fazer uma besteira. Ele quer nos separar Gustav, que mandar você embora pra eu não ficar de conversa contigo, ele ta com ciúmes de nós dois!

-Que cara mais idiota, tem um celular aí?

-Sim!



Entreguei-lhe o celular, Gustav ligou para Georg que assim que recebeu as ordens começou a mexer os pauzinhos.



-Dentro de duas semanas teremos novos nomes e nacionalidades! – diz sério, respirei fundo já sentindo a dor de abandonar os dois que mais amo...



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