“-Quem é Georg? – pergunta barrando minha passagem.
Engoli em seco pensando numa boa resposta para dá-lo... “
-Georg? Err... O que houve com sua mão Tom? – perguntei vendo a mão enfaixada.
-Não muda de assunto Anne foi um arranhão que levei ao pular o muro da Federal, quem é Georg? – revida perguntando novamente.
-Oras Tom... – comecei me virando de costas indo até minha bolsa procurando uma desculpa. –É o recepcionista da clinica! – respondi por fim achando que estava livre de mais perguntas.
-Na clinica só tem mulheres na recepção Anne, cara pra que mentir para mim? Já sei quem você é não precisa persistir na mentira! – diz se aproximando de mim.
-Ta ok... – comecei respirando fundo para começar a responder. –Foi um enfermeiro, pedi pra Ralf colocar alguém na linha pra me certificar que realmente ele está bem como Ralf havia me passado, mas ele mentiu Tom... – comecei um choro encenado. –Peter precisa de uma transfusão anjinho, e eu quero ajudá-lo! – finalizei me jogando em seus braços.
-An-ne... – gagueja com a voz embargada enquanto eu fazia a cena perfeitamente bem. –Ok Anne, vou fingir que acredito, mas somente por que Bill me disse que ele precisará dessa transfusão! – diz com a voz acolhedora.
-Te amo sabia? – indaguei olhando em seus olhos.
-Ama nada, você é louquinha pelo Bill! – diz se esquivando de meu abraço parecendo nervoso.
-Não é verdade, pode parecer loucura, mas sou doida pelos dois...
-Anne, por que não diz a verdade? Só aceita ir pra cama comigo por que não tem outro jeito, porque eu vivo no seu pé, você se arrasta para o Bill, é louca por ele, vive por ele! – grita me deixando confusa.
-Tom, mas por que isso agora? – perguntei sentindo uma pontada no peito.
-Eu cansei de ser o outro, você me conquistou Anne, assim como conquistou Bill, mas vejo que vocês se dão tão bem que decidi não atrapalhar mais, vou seguir minha vida como era antes! – diz saindo do quarto me deixando com os olhos cheios de lágrimas.
-Não Tom, por favor, não faça isso! Vocês me envolveram nessa, porra eu amo os dois, de uma forma diferente cada um, mas amo, por favor, não me deixa assim? – pedi o abraçando por trás deixando as lágrimas começarem a cair.
-Anne vai ver o Bill vai! – manda se soltando mais uma vez de meus braços.
Senti meu coração doer com aquele gelo de Tom, por que ele faria aquilo comigo?
Corri até o quarto de hospedes atrás de meu diário, precisava desabafar e sem Gustav naquele momento, somente aquele diário poderia-me “escutar”...
Diário de Anne Kirsten.
Tom me fez acordar para a realidade, no que foi que me transformei?
Se minha mãe estivesse viva, talvez hoje eu fosse uma moça direita, mas estou manchando sua memória sendo uma verdadeira vadia, oh Deus por que as coisas têm que ser assim?
Sabe, vendo minhas lágrimas molhar essa folha que agora escrevo, decidi que vou dar um rumo em minha vida.
Assim que Gustav melhorar, confessarei tudo á Bill, irei confessar mesmo recebendo seu ódio como resposta pelas minhas mentiras.
Sei que isso não chegará a lugar nenhum, amo os dois, e não tenho coragem de escolher apenas um, me odiarei para o resto da vida se ver algum dos dois sofrer por uma escolha mal feita por mim até por que realmente meus sentimentos estão divididos entre os dois, é isso, vou sumir da vida dos Kaulitz...
Peguei minha bolsa assim que terminei o que queria escrever, e saí correndo para o lado de fora, Richard estava aos ‘cuidados’ de Leo que o vigiava enquanto Bill não estava presente.
Senti falta de imediato quando desci as escadas da porta principal e não vi Gustav me esperando para levar-me aonde quisesse, segurei o choro e peguei o primeiro carro que continha a chave no painel.
Durante todo o trajeto pensei no que iria fazer, meus sentimentos sem misturavam num misto de dor e sofrimento, queria ter o dom de possuir dois corpos pra cada um dos gêmeos poder ter o seu, as lágrimas caiam sem permissão, queria poder sumir naquele momento, mas seria injustiça demais com meu grande amigo Gustav...
-Como ele está? – perguntei assim que encontrei o corredor de casos graves.
-Precisa da transfusão o mais rápido possível! – responde Mateus segurando algo no braço.
-E Bill?
-Foi tirar sangue junto de Ralf!
-Como eu faço pra eles tirarem o meu tamb...
-Anne que bom que chegou! – diz Georg olhando para trás me puxando de lado fazendo Mateus estranhar a cena. –Só você pode doar sangue para Gustav! – cochicha me deixando curiosa.
-Por que somente eu?
-Não faça perguntas Anne, você é O- assim como ele...
-Espera aí, como é que você sabe que sou O- se nem eu sei disso? – perguntei mais curiosa ainda, a resposta não deveria vir tão dolorida.
-Oras Anne, são da mesma família, como pode não ter... – Georg parou percebendo a idiotice que havia dito.
Senti que meu mundo decidiu desmoronar tudo de uma vez, primeiro Tom me dá um gelo que pude sentir até o centro do coração, agora isso de Gustav ser da mesma família, como assim?
-Do que você está falando? – minha voz saiu falhada devido a minha respiração meio lenta.
-Anne eu juro que não queria que soubesse dessa forma, mas essa é a verdade, você e Gustav são irmãos...
-Anne? – Bill o interrompeu vindo até nós estranhando a forma aproximada de Georg á mim.
Mesmo com Bill ao meu lado não resisti e caí num choro sentido, queria poder mais do que nunca sumir daquele lugar, sumir pra sempre, por que meus pais nunca me disseram que eu tinha um irmão mesmo eu tendo apenas cinco anos de idade? Aliás, por que esconderam Gustav? O que houve pra eu crescer longe de meu irmão?
-Anne? Anne? O que houve com ela, Ralf? – pergunta Bill me fazendo voltar do transe.
-Eu vim doar sangue Bill! – respondi ainda meio grogue sentada na poltrona de espera.
-Você precisa primeiro saber se seu sangue é compatí...
-Eu tenho certeza que seja! – exclamei convicta olhando para Ralf e em seguida para um enfermeiro que passava pelo local. –Hey moço, eu quero doar sangue para o rapaz que está precisando! – peguei o rapaz pelo braço o assustando.
-Anne vem comigo, esse enfermeiro não sabe nem do que você está falando! – diz Bill me abraçando de lado.
Bill me levou até a sala que tiraram o sangue dos três, tiraram uma pequena amostra pra mandarem até o laboratório de pesquisas avançadas que tinham na clinica e nos fizeram esperar.
Uma espera interminável, não queria falar com ninguém.
Ninguém entendia o porquê das lágrimas que rolavam sem parar em meu rosto, lágrimas que não precisavam de força alguma de minha parte para cair.
-Sei que não está a fim de conversar, vejo isso em sua expressão, e no silêncio também, mas preciso saber o que houve Anne, liguei para Tom ele parecia estranho, estava dizendo umas coisas esquisitas, você sabe se ele bebeu ou algo parecido? – pergunta Bill olhando para mim, porém eu olhava para o nada.
-Tom me deu um fora, disse que não me quer mais, que vai deixar o caminho livre pra você! – respondi com a voz chorosa.
-Mas por que isso? Tom assim como eu, te ama! Eu vivo pensando comigo mesmo o quanto isso se tornou em loucura, mas até me acostumei dividir você com ele! – diz sorrindo de canto. –Ele deve estar estressado Anne, não ligue para o que o tonto do Tom diz, quando tudo isso passar você vai ver, ele vai voltar a correr atrás de você! – afirma ainda sorrindo, porém meu coração dizia outra coisa á minha mente.
-Aconteça o que acontecer, eu amo os dois como uma louca, sinto um imenso carinho e respeito por vocês e isso levarei até o dia de minha morte! – lhe disse dessa vez o olhando nos olhos.
-Por que está dizendo isso? – pergunta ficando sério.
Nada respondi apenas lhe beijei, um beijo calmo e suave pra ele me sentir em sua boca, sentir o gosto da mulher que conheceu há meses atrás apenas para fingir um relacionamento falso, a mulher que se tornou sua cúmplice e companheira em todos os sentidos e que levaria aquele amor para onde fosse, mesmo que esse lugar seja a eternidade...
-Anne Kirsten?
-Eu, sou eu!
-Seu sangue é compatível com o do paciente, está disponível para a doa...
-Claro, doarei o quanto for preciso!
-Ok, venha comigo, por favor!
Olhei para Bill sorridente e logo após para Georg, ele não havia mentido para mim, Gustav poderia sim ser meu irmão, não sei como tudo isso aconteceu, mas estava feliz em encontrar alguém com o mesmo sangue que eu, e melhor alguém que me ama assim como eu amo, como verdadeiros irmãos.
Após retirarem a quantidade necessária para a transfusão fui levada á um quarto de repouso, precisaria descansar, meu corpo enfraqueceu depois dessa primeira doação que fiz na vida, Bill esteve ao meu lado o tempo todo.
-Já fizeram a transfusão nele? – perguntei sonolenta.
-Sim, ele está descansando e agora seria bom a senhorita descansar também! – diz acariciando meu cabelo, não deu outra, adormeci...
2 comentários:
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA que perfeito *-* , eu sou louca pela ADM , posta logo amor *-*
ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh My godd......como assim Gust é irmão dela...???????
Caracaaaaaa posta logo Aleee....
Mega curiosa aqui!!!!
*ps tava demorando pro Tom surta rs
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