domingo, 12 de junho de 2011

Capítulo 42 - Gatekeeper




"As sombras da noite,
Estão espalhadas novamente
Onde a gula delas começa
O fim está perto
Uma fome mórbida por sangue,
Mentem em seus frios olhos negros
Eles tem vindo para levar nossas vidas embora..."


Within Temptation - Gatekeeper



Chegamos á mansão no cair da noite.

Bill subiu correndo para o quarto tomar banho, a desculpa? Queria se “desinfetar”.

Já eu fui atrás de Gustav, queria conversar com meu amigo, pois era assim que o via, como um verdadeiro amigo.




-Já estamos de bem? – perguntei sentando ao seu lado na escada que dá ao jardim.

-Não sei! Você não merece minha atenção! – diz sorrindo de canto.

-Ah pára vai, sei que sou chata, mas você gosta de me ver por perto! – brinquei o empurrando.

-Que bom que você reconhece sua chatice! – afirma sorrindo. –E o almoço, como foi? – pergunta me olhando.

-Ótimo, muito bom, delicioso...

-Você aprontou não é Anne? – pergunta com uma expressão estranha me vendo falar tão alegremente.

-Aprontei? Como assim aprontei? – perguntei inocente.

-Bill me pediu pra levá-lo até a casa de sua mãe, por que os dois iriam almoçar juntos fora, ele não pediu pra esperá-lo, ou seja, com certeza ele foi com um dos carros de Simone, Anne você e Bill voltaram juntos, cara não acredito que vocês aprontaram num restaurante? – pergunta arregalando os olhos de repente.

-Ain Gustinho foi tão bom! – grudei em seu braço.

-Argh que nojinho, e onde foi? – pergunta curioso.

-No banheiro! – sussurrei em seu ouvido logo após sorrindo alto.

-Você é louca garota! – diz sorrindo também.

-E agora que estamos de bem... Me fala sobre sua vida Gustinho? – pedi fazendo carinha fofa.

-A única coisa que sei, é que fui roubado da maternidade só pra fingir alguém que não era! – diz me fazendo ficar séria no mesmo momento.

-Nossa que horror, então você cresceu longe de seus verdadeiros pais, deve ser horrível tê-los vivos e não poder ir de encontro para abraçá-los, sentir seu cheiro, dizer o quanto os ama! – falei lembrando-me de meus pais.

-Eles não estão mais vivos Anne! – diz antes de meu celular começar a tocar.


-Alô?

-Anne nossa conversa ainda não terminou, preciso que venha me ver, em minha casa... AGORA! – diz Eva rapidamente desligando o telefone sem ao menos me esperar responder.

-Quem foi? – pergunta Gustav me vendo fechar o flipper do celular.

-Eva quer me ver... Agora! – respondi séria. –Bom vou até ela, vou lá em cima avisar Bill e pode deixar que eu vou sozinha, ok? – avisei logo para o mesmo não se oferecer para me levar.

-Tudo bem! – concorda revirando os olhos.



Subi rapidamente para pegar alguma casaco e avisar Bill, com cuidado.



-Bill? – o procurei no quarto tomado pela escuridão.

-To aqui na cama! – responde com a voz sonolenta.



Acendi a luz e corri até lá.



-Minha tia quer que eu vá até sua casa! – falei bem pertinho de seu ouvido.

-Ela não é sua tia Anne! – afirma olhando para mim.

-Ok ela não é minha tia, mas foi ela quem cuidou de mim quando assassinaram meus pais, entende? – perguntei mexendo em seu cabelo.

-Tudo bem, se for pra voltar tarde, é melhor dormir lá! – finaliza virando-se novamente para dormir.



Apenas confirmei com um beijo na testa e fui pegar minha bolsa e casaco.

Saí rapidamente com o mesmo carro que havia saído pela tarde.

As estradas que levava á ‘civilização’ eram escuras e de terra, pois a mansão era escondida no meio do mato.



Senti meus pêlos se arrepiarem ao perceber que estava sendo seguida por um carro preto, totalmente preto.

Acelerei mais pra ver se eu chegava mais rápido á algum lugar com luz e pessoas, não árvores e mais árvores por todos os lados.

Mas essa idéia talvez não tenha sido a melhor, o carro preto também acelerou e junto meu desespero aumentou.

Pisei fundo achando que poderia me afastar mais, puro engano a pessoa percebera que eu já havia me ligado a perseguição e decidiu agir mais rápido.

Num rápido impulso senti o carro estremecer, o carro de trás acabara de dar um forte golpe no meu fazendo meu medo aumentar a cada segundo mais, na segunda batida fui arremessada contra uma enorme árvore no meio daquele nada, bati a cabeça no volante abrindo um grave ferimento na testa, o maldito airbag não havia funcionado justamente naquela hora, respirei fundo tentando recobrar o sentido foi quando senti o cheiro forte de gasolina, tirei o cinto rapidamente me arrastando para fora do carro, foi o momento exato para ele pegar em meu cabelo me puxando com força para cima e logo após batendo meu rosto com brutalidade no capô do carro, pude sentir meu sangue começar a jorrar da ferida feita na boca devido ao impacto.



-Achou que tudo isso iria ficar como ficou? Achou que iria desistir fácil da “batalha” Julie? – pergunta Richard com um tom de voz furioso.

-Oras se não é a marica do filhinho da Eva! – debochei rindo.



Richard não gostou da ofensa, me levantou rapidamente pelo cabelo e novamente levou meu rosto com brutalidade até o capô do carro, dessa vez foi meu nariz que senti quebrar, a dor era insuportável.



-Vadia, achou mesmo que poderia me passar pra trás e eu nada faria? Enganou-se, vou acabar com você hoje mesmo!



Foi dizer isso para Richard me jogar no chão de barriga para cima, tentei me esquivar do primeiro chute, mas foi em vão.

Acertou minha barriga em cheio fazendo uma enorme quantidade de sangue ser espirrado de minha boca, não se conformando, chegou perto de meu rosto desferindo um soco certeiro em meu nariz já quebrado, já não sentia mais meu corpo.

A agressão continuou ainda mais, Richard aproveitou cada espaço de meu corpo, recebi chutes nas costas, pernas, braço e até a cabeça não ficou de fora, meu corpo não existia mais, minhas roupas já estava completamente ensangüentada.

Richard só se conformou quando viu que eu já não agüentava mais me contorcer e acabei fingindo um desmaio, na verdade eu desmaiei, mas não antes de ver a figura encostada de braços cruzados apenas observando o feito... A figura de Eva sorrindo diabolicamente de minha situação...



***



-Merda Leo, é a Anne! – diz Mateus chegando perto do corpo desfalecido de Anne.

-Quem será que fez isso, verifica a pulsação, porra Mateus se Bill ver isso ele mata quem fez! – diz Leo já em desespero.

-Ela ta respirando com dificuldade, vamos levá-la para a mansão, me ajuda aqui! – pede pegando na frágil cabeça da moça toda ensangüentada.



Não demorou muito para que os dois rapazes chegasse á mansão, já havia amanhecido, Bill e Tom estavam sentados na escada da entrada conversando normalmente quando repararam no carro entrando quase que desesperadamente.



-Hey Bill olha só quem encontramos no meio do mato! – diz Mateus despertando o interesse de Bill que se levantou no mesmo instante.

-Quem é essa? – pergunta assustado não querendo acreditar que poderia ser Anne.



A situação da moça não era das melhores, seu rosto inchado desfez todo aquele semblante perfeito que tinha.

Bill entrou em desespero ao ver a gargantilha que havia dado para Anne no primeiro dia que saiu para uma missão, o dia que ela foi brutalmente abusada por dois homens nojentos e asquerosos, ele não queria acreditar que aquela mulher desacordada e cheia de ferimentos por todo o corpo era Anne, a mulher que despertou seus sentimentos mais adormecidos, a mulher que mudou seus dias, a única que o fez sair do tédio que sua vida era.

Bill não podia acreditar que alguém poderia ser covarde o suficiente para maltratar sua pequena francesinha.



-Quem foi o filho da puta que fez isso com ela? – pergunta saindo de seu devaneio tentando tocar alguma parte que não havia ferimentos, em vão.

-Não sei Bill, a encontramos assim toda machucada caída no meio do mato e sua BMW batida numa árvore! – responde Mateus ainda com Anne no colo.

-Leve-a para dentro e chame nosso médico particular! – ordena Tom desesperadamente subindo as escadas para abri a porta.



Com certa dificuldade Anne foi levada até o quarto de Bill, deitaram-na suavemente na cama ouvindo um gemido vindo da mesma, ela estava acordando...


***



-Onde estou? – perguntei sem saber se estava viva mesmo.

-Anne, como está se sentindo? Muita dor meu anjo? – pergunta Bill rapidamente segurando em minha mão suja pelo barro.

-Hã? Não morri? Ele não me matou? – perguntei incrédula.

-Ele quem? Diz quem foi o desgraçado que te fez isso Anne, diz que vou agora mesmo caçá-lo e fazer de seus restos mortais comida para os cachorros, diz Anne! – pede Tom revoltado, não conseguia abrir os olhos direito, portanto não pude olhá-lo nos olhos.

-Eu não acredito que estou viva! – me alegrei tentando sorrir.

-Anne isso não é brincadeira, diz quem foi que fez isso contigo? – pede dessa vez Bill com uma voz acolhedora.

-Richard!



Foi dizer esse nome pra ouvir os dois explodirem, ouvi Tom começar a quebrar tudo o que tinha ao seu redor xingando Richard de tudo quanto é nome, já de Bill ouvi um soco se desferindo contra a mesinha que havia em seu quarto.



-Aquele filho da puta desgraçado vai se ver comigo, ah se vai! Irei o fazer beber do próprio sangue, sentir o gostinho da morte bem pertinho! – diz Tom num tom de voz mais do que furioso.

-Não só com você Tom, Richard mexeu com a mulher errada. E isso não ficará assim! – diz Bill com a voz calma, porém dava-se para perceber que seu ódio estava guardado para quando colocar as mãos em Richard.



Assim que o médico chegou, fui devidamente examinada, o mesmo sugeriu me levar para um hospital com urgência para fazer os devidos curativos e engessar o braço e uma perna que eu não sentia muito bem.

Assim que a ambulância chegou fui levada para a clínica onde o tal médico era residente ficava bem no centro, Gustav se ofereceu pra ficar comigo, Tom aceitou de imediato...



-E aí o que faremos agora? – pergunta Tom indo atrás de Bill assim que Anne foi levada para clínica médica.

-Matar não... – começa entrando em seu pequeno arsenal. –Mas deixá-lo bem quebrado sentindo a dor que Anne sentiu, pode ter certeza que iremos deixar! – continua pegando dois bastões de puro ferro em cima de uma mesa de vidro, entregando um deles para Tom.

-Ah que maravilha, quanto tempo não vejo um de nossos inimigos sangrando devido meu ódio! – se alegra Tom olhando para o bastão como um maníaco.

-Vamos! – diz Bill guardando o bastão dentro de um pequeno suporte do mesmo tamanho.

-E como vamos pegá-lo? – pergunta Tom já no carro.

-Vamos invadir sua casa! – diz Bill sem muita certeza de suas palavras.



Chegaram pelos fundos, não havia segurança naquele local, Tom arrancou uma silenciosa de dentro da calça acertando nas câmeras de vigilância da parte de trás da casa.

Escalaram o muro sem muita dificuldade, logo estava no jardim.

Procuraram uma porta que daria provavelmente na cozinha ou algum outro cômodo, acertaram a cozinha.

Por sorte não havia ninguém, subiram cautelosos até os quartos... Nada.

Perceberam que Richard não estava na casa decidiram então deixar suas marcas.



Tom começou pelos lindos vasos de cristal em cima de suas mesas importadas, cacos de cristais se espelharam por toda casa, Bill partiu para as porcelanas, fazendo um grande estrago e assim por diante até ouvirem barulho de homens entrando correndo na casa. Esconderam-se atrás de duas pilastras no meio da sala para surpreender quem fosse que estivesse entrando, por sorte foram apenas dois dos seguranças de Richard, aquilo seria fácil para eles, Tom sacou a arma acertando em cheio o peito de um, já Bill com o bastão acertou a cabeça de outro que se preparava para atirar em Tom.

Os dois saíram correndo fazendo o mesmo trajeto em que entraram, no meio da estrada avistaram um carro familiar... O carro de Richard...





Faltam 8, tan nã nã. ♪

Oi gente, rs. Estamos chegando no fim.

Quero dizer que foi ótimo repostar e ver leitoras novas por aqui.

Valeu de coração. ♥


(Quarta postarei mais \o/)

1 comentários:

Camilla G. disse...

nãaaaaaaaaaao ): , eu quero muito mais , quero ler essa historia pro resto da minha vida é muito perfeita e eu quero que o Richard MORRA u_u .
posta logo diiiva

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