sábado, 14 de maio de 2011

Capítulo 27 - Salvation



"Alguns ficarão arrasados
Outros serão sortudos como eu, ao encontrar você
Não me ignore..."

Roxette - Salvation



Acordei super cedo observando aquele rostinho perfeito e tranqüilo dormindo feito um anjo, as frestas da janela deixavam passar finos raios de sol no quarto, dando uma iluminação afrodisíaca.

Lembrei-me de que possivelmente hoje seria nossa viagem, minha e de Tom, levantei rapidamente indo em direção de meu celular, queria continuar ali deitada até pegar no sono novamente, ainda estava cansada da noite com Bill, o olhei e lembrei-me de nossa noite. Amamos-nos a noite inteira sem pressa, conhecendo mais ainda o corpo um do outro e lógico, Bill me obedecendo como um cãozinho.

Mas aquilo não poderia ser adiado, era meu segredo que estava em jogo.

Disquei o número e esperei a voz sonolenta atender.



-Eva é muito urgente, Gordon quer me matar! – comecei a deixando preocupada.

-Como é que é? – pergunta alterando a voz.

-Ain não expliquei direito, na verdade ele quer matar a Julie, alguém de Adele se lembra de mim e sabe que estou viva, Gordon afirmou que a velha é gananciosa...

-Laurie, velha rabugenta. Uma única vez ela te viu comigo, desde então passou a me chantagear para não me entregar ao conselho infantil, eu poderia perder sua guarda caso isso acontecesse, por isso forjei minha morte apenas quando você completou 18, Anne ela pode ter algum tipo de prova sua, você precisa dar um jeito nela, não a deixe passar a perna em sua inteligência, chegue já fuzilando a velha gananciosa, você vai mesmo com o maloqueiro?

-Maloqueiro?

-Tom!

-Ahh, sim vou sim com ele, mas e se ele chegar na velha e ver que ela tem provas de quem sou eu? E se ela me reconhecer?

-Anne, Tom não precisa chegar primeiro, inventa alguma coisa e pede para fazer o trabalho sozinha!

-Vou fazer o que puder, agora vou voltar pra cama porque estou super exausta!

-O que fez para ficar tão exausta? – pergunta curiosa.

-Coloquei ordem no barraco! – respondi em meio a risos, coisa que ela não entendeu.

-Não entendi, mas tudo bem! Qualquer coisa me ligue! – finaliza desligando o telefone.



Ia voltar ao quarto de Bill quando ouvi a porta do Tom se abrir lentamente, o mesmo saiu com uma cara horrível de quem brisou a noite toda.

Fiquei o observando sair como um zumbi, não durou muito e veio em minha direção... Querendo me beijar a força.



-Tom o que você tem? – perguntei curiosa, o afastando de mim.

-Eu? Nadinha estou ótimo, muito bem! – responde abrindo a fechando os olhos.


Ele não estava normal, cheguei perto de sua boca sentindo seu hálito, estava normal sem nenhum cheiro de álcool.

Olhei em seus olhos e esse o denunciou.


-Tava se drogando é seu puto? – perguntei revoltada.

-Só um tiquinho! – fez um sinal com a mão. –É bom de vez em quando! – passou a mão em meu rosto.

-Tom, vou te dar umas porradas, me diz pra que isso?

-Porrada não, mas amor eu aceito! – diz enquanto eu o ajudava a voltar para sua cama.

-Por que se drogou Tom? – perguntei o observando já deitado.

-É melhor ir se acostumando, sempre faço isso quando quero! – responde de olhos fechados.

-Tolo! Você não passa de um tolo inconseqüente! Um idiota, burro sem noção da vida! - falei ainda demonstrando minha revolta.

-Fica aqui comigo? To tonto demais! – pede segurando minha mão.

-Fico sim! Mas me promete que não vai fazer isso novamente? Que vai parar de vez? Promete pra mim vai? – pedi indo beijá-lo na testa.

-Um dia eu paro! – responde fechando de vez os olhos.



Deitei-me ao seu lado por cima de suas cobertas mesmo, acabei pegando no sono.

Acordamos os dois com o barulho da porta sendo aberta e fechada com rispidez.


-O que houve Bill? – pergunta Tom estranhando eu estar ao seu lado.

-Você fumou de novo não é seu irresponsável? – pergunta Bill indignado.

-Ah cara, não enche por tão pouco! – reclama se levantando, eu apenas os olhava, assustada.

-Tão pouco? Filho da mãe você deve se lembrar bem da overdose que te deixou quase uma semana no hospital. Quer se matar? – revolta-se Bill me deixando ainda mais preocupada com Tom.

-Bill não enche o saco cara, vai ver se estou na zona, cansei de receber ordens suas! – grita Tom entrando no banheiro nervoso.

-Bill vamos para o quarto, não briga mais com ele...

-Anne você não sabe o que é ver um irmão tendo uma overdose...

-Não sei, mas podemos tentar fazê-lo parar juntos, agora o deixa pensar na idiotice que fez! – pedi tentando puxá-lo pra fora. Contrariado acabou cedendo.



-Não quero te ver passando a mão na cabeça daquele irresponsável! – exclama assim que entramos no quarto.

-Ok! – respondi indiferente deitando na cama.

-Entendeu Anne? – pergunta novamente com a voz alterada.

-Senhor Bill Kaulitz, que tal pararmos por aqui e voltarmos a dormir? Ainda é cedo Bill, ficamos acordados a noite inteira e ainda vou viajar hoje, tenho que arrumar malas e etc. Vem pra cá vai? Deixa-me dormir mais um pouquinho? Pode ser ou será difícil? – perguntei com carinha de pidona.


Bill diante de tal pedido apagou a luz e voltou para a cama, me abraçou pela cintura ficando de conchinha comigo.


-A noite já acabou minha linda, a partir daqui eu tomo as rédeas novamente! – sussurra num tom de “braveza”.


Não respondi tal provocação estava cansada demais, apenas entrelacei meus dedos nos dele e voltei a pegar no sono.


Acordei 13h, merda perdi a hora. Mas também com a noite agitada que tive isso não seria novidade.

Bill já não estava na cama, levantei e fui tomar um maravilhoso banho relaxante, antes de descer para tomar meu café, fui ate meu closet arrumar minhas malas, sorri ao chegar à gaveta de lingerie, me deparei com um espartilho vermelho junto de uma micro calcinha de renda, pensei em Tom e logo as enfiei na mala.



-Meu Deus, se contasse para alguém que amo dois homens, gêmeos e totalmente diferentes, ninguém acreditaria. Com certeza me chamariam de louca, diriam que isso não é possível que só acontece em novelas ou contos eróticos! – pensei alto rindo de mim mesma.



Mas aquilo era real e eu não podia e mesmo se quisesse explicar tal sentimento.

Pensei nas palavras de Bill “Sinta-se privilegiada”, ele tinha razão, ser desejada e paparicada por dois homens maravilhosos não é para qualquer uma.

E enquanto houvesse harmonia entre nós três, não irei tomar qualquer decisão sobre esse triângulo.



Terminei de arrumar as malas e saí do quarto.

Passei pelo o de Tom, queria saber se estava bem, com certeza também pegou no sono, dormia feito um anjinho. E é isso que queria, vê-lo sempre tranqüilo, faria de tudo para tirá-lo daquela vida.

Beijei seus lábios rapidamente e desci.


Encontrei Bill no escritório com a porta aberta.



-Oi!

-Oi! Por que não me acordou? – perguntei indo beijar sua testa.

-Tive dó de te acordar, estava até roncando! – nós dois rimos.

-Mentiroso, eu não ronco! – reparei no seu sorriso. –Você deveria sorrir mais, fica um tesão sorrindo! – continuei me curvando de frente a ele passando o dedo maliciosamente em seus lábios.


Ele então ficou sério.


-Vou sair, só volto à noite pra me despedir! – diz se livrando de meu corpo.

-E aonde você vai? – perguntei curiosa meio sentada em sua mesa.

-Negócios! – responde me dando um gostoso beijo na boca e um leve tapa na bunda.


Estava saindo do escritório, mas Gordon se adiantou em entrar antes.


-Quando Tom acordar passarei os últimos detalhes necessários!

-Pra mim está tudo ok! – concordei tentando me esquivar.

-Anne... – começa pegando em meu braço. –Quero muito que fique sabendo que estou muito satisfeito com seu trabalho e dedicação, saiba que tenho o maior respeito pela sua pessoa, você para mim virou uma pessoa de extrema confiança, muito obrigada por tudo! – olhei para ele sorrindo falsamente.

-Muito obrigada, fico realmente feliz por saber que agrado, e farei de tudo para agradar ainda mais! – respondi com o sorriso mais falso ainda.


Subi as escadas correndo, tranquei a porta do quarto de Bill e fui rapidamente para o banheiro, vomitei.

Aquilo era demais para mim, seu toque em minha pele me deu espasmos, me sentia um nojo de pessoa, sentada ao chão abracei meus joelhos com força e desabei a chorar, lembrei de meus pais, de como éramos felizes, minha vontade era de matar Gordon naquele mesmo instante, destruí-lo com minhas próprias mãos, mas antes preciso conquistar tudo o que é meu por direito.

Levantei-me indo até a pia, me olhei profundamente pelo espelho, meus olhos vermelhos mostravam o meu ódio por Gordon, lavei meu rosto e escovei meus dentes e dei a ultima revisada em minha mala.


-Anne? – Tom bate na porta de meu quarto, já era quase 16h.

-Oi Tom, está melhor? – perguntei abrindo a mesma observando bem sua expressão cansada.

-To me sentindo meio estranho, mas sempre fico assim quando fumo, vou tomar um remédio, Gordon quer nos ver! – diz passando a mão na cabeça.

-Ainda vamos conversar sobre isso mocinho, agora vamos!

-Ah não, já não basta Bill me dando ordens e agora me vem você? – pergunta fazendo uma carinha muito fofa, olhei para os lados e o beijei.

-Pára de reclamar e vamos logo!


-Que bom que chegaram Simone não pára de me ligar! – Gordon sorriu. –Aqui estão às passagens e os documentos falsos...

-Para que documentos falsos? – o interrompi curiosa.

-A velha já sabem os nomes de vocês, porém sabem os nomes falsos, isso é apenas uma forma de segurança.

-Sei, sei! – concordei indiferente.

-O dinheiro que vocês darão a ela, será depositado na conta do Tom, lá vocês sacam e dão assim que pegar as informações da garota!

-E depois o que faremos? Iremos atrás da tal garota e a matamos? – pergunta Tom largado no sofá.

-Essa é meu maior desejo, essa garota poderá dar com a língua nos dentes a qualquer momento, e se a polícia descobrir um de meus delitos, pode ter certeza que descobrirá muito mais! – diz me fazendo ter enjôo.

-Ok faremos o que preciso for. Já fez as malas Tom? – perguntei mudando de assunto.

-Hmm ainda não! – responde indiferente.

-Então vamos logo, eu te ajudo! – finalizei o puxando para o quarto...

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