-Hã? Do que está falando? – perguntei levantando da cama ficando quase de frente a ele.
-Fala logo quem é você! – ordena engrossando ainda mais a voz, senti um arrepio transcorrer pelo corpo.
-Tom...
-Olha Anne, você nunca precisou mentir para nós, sempre te tratamos como se você nossa... Nossa... Cara por que mentiu? O que quer de nós?
-Do que está falando porra? – perguntei já com medo da resposta.
Ele jogou então as fotos que recebera no envelope, tremi toda ao ver que era eu ali, porém loira e cabelos longos, devia ter uns 15 ou 17 anos, mas estava bem aparente que era eu.
O olhei já com lágrimas nos olhos, não sabia por onde começar, e se ele não quisesse acreditar?
-Você não tinha motivos para mentir...
-Tinha sim, olha só aquele desgraçado depois de matar os meus pais agora quer se livrar de mim! – o interrompi já aos prantos.
-Então se aproximou do Bill pra usá-lo? Então todo esse tempo a sem vergonha foi você? – pergunta também alterando a voz.
-Sim era essa minha intenção, mas nada deu certo, me apaixonei pelo jeitinho de cada um, agora minha vingança está focada somente nele, por favor, acredite em mim? – pedi indo abraçá-lo, porém esse desviou.
-Você foi falsa ao fazer isso, Bill sempre foi ele mesmo, te deu confiança, te levou pra dentro da nossa casa e olha só o que você fez... Escondeu que realmente é! Cara que covardia. – diz inconformado.
-Ok Tom, agora que sabe quem sou eu, pode completar o plano de Gordon, me mata, acaba comigo como ele quer, por que saiba você que se não fizer isso, assim que conquistar tudo que é meu por direito, irei acabar com ele aos pouquinhos! Agora vai, me mata logo de uma vez! – ordenei gritando ainda mais, devido o tom de voz, Tom correu pra tampar minha boca.
-Se não calar a boca, pode ter certeza que calarei com uma bala garganta abaixo! – caí no choro. –Mas jamais teria coragem de me livrar de você, só não entendo o porquê das mentiras! – continua ainda tapando minha boca. –Você nos conquistou Anne, e isso não mudará, mesmo que um dia venhamos a conhecer outro alguém, você sempre será marcada, sempre será nossa princesinha! – completa me abraçando.
-Desculpa ter mentido, tive medo de me desprezarem, me expulsarem de sua casa. Desculpa Tom! – pedi chorando sentindo seu abraço.
-Não pense que irei esquecer fácil disso tudo, o que fez foi realmente algo imperdoável, eu posso até aceitar, mas Bill... Esse não aceitará tão fácil. Quando vai dizer a ele? – pergunta segurando meu rosto secando as lágrimas.
-Não sei, ele com certeza não irá aceitar de prontidão, como você mesmo disse, Bill não é que nem você que aceita as coisas normalmente, ele é do tipo que odeia traição, e com certeza aceitará isso como uma! – respondi indo me sentar.
-Isso é verdade, mas acho melhor começar a prepará-lo, de alguma forma ir contando aos poucos! Se ele descobrir por outra boca, pode ter certeza que será seu fim!
-Esse era meu maior medo, mas e agora, o que vou fazer com essa velha fofoqueira maldita?
-Não pensei em nada ainda, minha cabeça ta numa confusão só, por incrível que pareça to vendo Bill ficando furioso com você, ele nunca vai aceitar isso! Não mesmo! – diz passando a mão na cabeça.
-Ele não deve ser tão fechado assim Tom...
-Não? Garota você não conhece meu irmão, ele não suporta traição, e não é só por que disse que te ama vai perdoar tal mentira!
-Como você sabe que ele disse isso?
-Oras somos irmãos podemos ter nossas brigas, mas somos do tipo que confia tudo um com o outro, ele me diz tudo Anne, coisas que nunca diria a você ele diz a mim!
-Entendo!
-Então aquele desgraçado destruiu sua família também? – muda de assunto se sentando ao meu lado.
-Tudo o que tinha de mais valioso, as duas pessoas que mais me apeguei nos cinco primeiros anos de minha vida, ele acabou com tudo, a família perfeita, a felicidade perfeita... Passei minha vida toda tentando procurar uma resposta pra tanta ruindade, como pode haver pessoas tão ruins a tal ponto, mas nunca encontrei a resposta, até por que meus sentimentos estavam mudando, de bons para ruins, e todo meu desejo é acabar com ele, tirar tudo o que mais ama, o dinheiro. Por que foram devido ao maldito dinheiro e ganância que ele fez o que fez com minha família!
-Posso estar agindo sem pensar, mas você pode contar comigo! – diz me fazendo repousar sobre seu colo.
-Obrigada Tom...
Ficamos em silêncio depois de tudo o que falei, acabei pegando no sono mais uma vez, e Tom também.
Acordamos juntos com o barulho do celular de Tom, era Gordon.
-Alô? – atende com voz sonolenta.
-A velha não pára de me ligar Tom, diz que já mandou as fotos da tal garota, porém ainda não recebeu a recompensa, se não estiver até as 20h na casa dela com a grana, ela me denuncia, não quero arriscar a ser denunciado antes de matar a garota.
-Ok Gordon, relaxa, vamos agora mesmo até o banco sacar a grana, mas me diz algo, é muita coisa? Não quero ter que explicar o porquê de estar retirando tal quantia!
-Não, não é muita coisa, a velha não sabe negociar, fique relaxado, é pouca coisa, qualquer um com dinheiro na conta poderia sacar tal valor! – responde rindo.
-Ok, pode deixar que darei a recompensa da velha! – Tom desligou me olhando sério. –Esse dinheiro nunca sairá da minha conta, vamos, se vista, iremos fazer uma visitinha a velha! – ordena por fim desligando o celular.
-O que pensa em fazer? – perguntei indo até minha mala.
-Eu nada mocinha, você fará tudo! – diz me fazendo virar bruscamente em sua direção.
Quase ia esquecendo o que iria dizer ao ver aquela visão, Tom estava apenas de boxer branca, a coisa mais sexy que já vi, estava de costas para mim, fui chegando lentamente e apertei sua bunda, o fazendo dar um pulinho de susto.
-Ta louca? – pergunta passando a mão no lugar apertado.
-Desculpa, não resisti! – empurrei seu corpo até a cama o beijando. –Posso te contar um segredinho? – perguntei em cima dele.
-Conta!
-To louca pra aproveitar cada momento com você aqui nessa suíte maravilhosa, vamos logo fazer o que tem pra fazer, e voltamos pra gastar toda camisinha que trouxe! – dei o último beijo antes de me levantar rapidamente.
-Olha que vou usar mesmo hein? Todas, e você terá de me agüentar! – diz apontando para a mala onde estava as tais camisinhas.
-Acho que quem não vai agüentar o tranco é você meu anjo! – provoquei já tirando as roupas para colocar outra.
-Tem botas de borracha e luvas de silicone em minha mala, se vai matar a velha, terá de ser bem feito! – muda de assunto também se vestindo. –Vamos passar em alguma loja de armas e comprar uma silenciosa.
-Pra que?
-Ora, você pretende matá-la como?
-Não quero ver sangue Tom, tento de outro jeito, mas sangue eu não quero ver!
-Ihh meu anjo, e como vai matar Gordon? De desgosto por ter roubado tudo o que era dele? – pergunta com um ar de deboche.
-Aff não vamos falar sobre isso agora! Vamos logo! – finalizei terminando de amarrar meu cabelo.
Tanto Tom como eu nos vestimos todo de preto, Tom desceu apenas com uma blusa branca para não dar muito na cara, fomos em direção ao carro alugado e sem precisar ver o endereço fui dando as coordenadas do caminho.
Chegamos à estreita ruazinha de terra, aquilo não havia mudado nada.
O mesmo ar de um lugar rural e meio abandonado, um lugar calmo e sem violência onde todos se conheciam, olhei para o lado onde era minha casa.
O terreno já não estava vazio como na ultima vez que estive por aqui, havia uma linda casa construída, uma arquitetura linda e luxuosa.
-É uma das propriedades de Gordon, sei disso por que já vi a planta dessa casa! – explica Tom me fazendo acordar do devaneio.
-Antes era uma casa linda também! – comentei séria.
-Sério? Deveria ser mesmo, aqui apesar de não ser asfaltado, é um lugar lindo!
-Era sim... Era a casa da minha família! – completei deixando uma lágrima escorrer rosto abaixo.
Tom me olhou sem reação, ficou um instante calado e logo me abraçou secando minhas lágrimas.
Respirei fundo e comecei a andar em direção a casa de Laurie.
-O que pensa em fazer?
-Não sei Tom, quero que ela me veja, que veja o rosto que denunciou, o rosto que sofreu com a morte dos pais...
-Ok Anne, irei à frente levando comigo essa bolsa, só pra disfarçar... – começa Tom me fazendo esquecer daquilo tudo. –Você entra logo após ficando a sós com a velha, vê se faz tudo rapidamente, ok? – ordena já começando a andar em direção a porta.
-Ok meu anjo! – confirmei indo beijá-lo.
Tom tocou a campanhia e ficou a espera, assim que a porta foi aberta entrei com tudo empurrando a velha até o sofá, essa me olhou assustada tentando gritar, mas sua boca fora tampada por minha mão.
-Já não bastava à inveja que tinha por minha mãe, agora quer me ver morta? Ora dona Laurie o que fizemos de tão ruim assim pra senhora? Bom, não vou ficar de papo furado, prefiro a minha vida a sua, e tenho que permanecer viva pra conseguir tudo o que é meu por direito, não concorda? – perguntei com cara de maníaca. –Foi bom revê-la! – finalizei dando um leve beijo em sua testa antes de torcer seu pescoço até ouvir um “creck”.
-Nossa que rapidez! –Tom entrou rapidamente na casa. –Vi você dando um beijo na velha, limpa o local! – continua me dando um pano e álcool.
-Não queria vê-la sofrendo, quebrar o pescoço foi mais fácil! Não acha? – perguntei fazendo uma caretinha.
-É pelo menos foi no ponto certo, vai que você tenta e não consegue quebrar! – diz brincando. –Agora vamos, espero que não tenha ficado nenhuma marca nossa aqui! – finaliza me pegando pelas mãos.
O lugar estava deserto, não havia uma alma viva ao redor, entramos no carro e seguimos para o hotel.
Ao chegarmos, fomos logo tirando a roupa para jogar fora.
Eu apenas de lingerie fui até minha mala, peguei algumas roupas e fui tomar um banho quente e relaxante.
Saí depois de longos 20 minutos, com um robe sexy de seda vermelho um pouco acima de meu joelho, meu cabelos molhados caíam pelo rosto e meu corpo ainda não estava totalmente seco.
Tom estava sentado mexendo atentamente em seu notebook, ao perceber que saí do banho levantou a cabeça não acreditando no que estava vendo...
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