Diário de Anne Kirsten.
Uma semana se passou desde nossa ida e chegada á França.
Gordon ainda não veio á casa dos gêmeos para saber das informações da queima de arquivo, creio que por hoje ou amanhã aquele verme aparece por aqui.
Essa semana não tive a oportunidade de me encontrar com Simone, preciso acertar com ela as coisas para a festa, obviamente não poderá ser aqui na mansão deles, até por que o único lugar que Simone conhece como moradia dos gêmeos é uma linda cobertura no centro da cidade.
Bill e Tom me deixaram respirar aliviada nesses dias, quase nem tem me procurado, hoje acontecerá o tal conserto, Gordon já está no país, mas mesmo assim Bill quer que eu vá com ele e sua mãe...
Hoje falarei com os dois, pensei bem e não rola fazer festa surpresa...
-Anne? – bate Tom na porta do quarto de hospede onde me tranquei para escrever.
-Oi! – falei abrindo a porta.
-Eu vivo me perguntando o que tanto você faz quando passa horas em algum quarto sozinha e trancada, se for à primeira opção dos meus pensamentos, creio eu que não precisa já que tem dois homens dispostos o dia inteiro somente para você! – diz entrando no quarto esboçando um sorriso malicioso no rosto.
-Não é nada disso que sua cabecinha super maliciosa está pensando, só tiro alguns minutos do meu dia para meditar, é isso meditar! – revidei a provocação dele.
-Sei, sei, e o que é aquilo na cama? Um diário, você tem um diário? – pergunta feliz indo até meu diário que me esqueci de esconder.
-Nada demais, apenas uma pequena agenda onde escrevo meus poemas! – me adiantei pegando o diário antes dele.
-Poemas? Deixa-me ver? – pede tentando pegar o diário escondido por trás nas minhas costas.
-Não Tom, é algo muito pessoal, coisa de quem não tem nada pra fazer! – respondi ainda tentando fugir de suas mãos rápidas.
-Ah pára de ser fresca, me deixa ler só unzinho? – pede mais uma vez antes que eu escapasse mais uma vez de suas mãos.
-Chega Tom, não vai ler e ponto! – gritei já nervosa.
-Nossa ta bom tigresa, não lerei... Hoje! Toma cuidado com esse “diário” se cair em minhas mãos, conto á todos o que está escrito nele! – avisa fazendo o sinal das aspas.
Não falei nada diante de tal aviso.
Saí de perto dele indo para o quarto de Bill, peguei a malinha que sempre escondia o diário e o fechei com o segredo.
Respirei fundo, peguei minha toalha e fui tomar um banho relaxante.
Após o banho coloquei um short jeans bem justo, uma blusinha caída no ombro, deixei meus cabelos soltos ao natural, passei a devida maquiagem para a ocasião e saí após pegar minha bolsa, estava precisando respirar ar fresco longe de tudo e todos.
-Aonde vai? – pergunta Bill me vendo abrir a porta da frente.
-Fazer umas comprinhas, sempre fico trancada aqui, preciso respirar ver mais pessoas, sabe?
-Hmm sei, se precisar de alguma coisa é só ligar. Não demore! – diz me beijando.
-Ok.
Despedi-me dele e entrei no carro, como de costume era Gustav que estava ao volante, fiquei um bom tempo quieta, mas a curiosidade não me deixou ficar calada.
-E como anda a filha de Eva? – perguntei olhando para fora.
-Anne por que quer tanto saber sobre essa garota? – revida fazendo outra pergunta.
-Oras, pelo simples fato de ter sido criada por Eva e não saber dessa tal filha! Acho que mereço uma explicação sobre ela! – respondi já indignada.
-Então por que não pergunta para a própria Eva? – aquela pergunta me broxou.
-Ok, não pergunto mais! – me rendi percebendo que o shopping estava se aproximando. –Pode me deixar aqui, e não se preocupe, voltarei de táxi mesmo. – finalizei saindo do carro.
Passei o dia observando as lindas vitrines do shopping, acabei comprando algumas coisinhas, não posso deixar de lado a oportunidade de gastar o cartão do Bill.
Voltei quase de noite preparada para conversar com os dois, fui direto para o quarto, peguei de uma das sacolas um vestido bem decotado vermelho com detalhes em preto para a noite da ópera e logo em seguida desci para procurá-los, por sorte os encontrei conversando na sala de jogos, sozinhos.
Entrei fechando a porta e os olhei me observando calados.
-O que foi? – pergunta Bill com cara de “Quem morreu?”.
-Bom... Vocês sabem que amo demais os dois não é? – comecei com a frase super esquisita.
-Ela nos ama Bill, que lindinha, ama dois! – zomba Tom rindo de mim.
-Ok Tom, não vou ligar pra suas zoeiras... Eu vim conversar sobre... A festa de vocês! – falei por fim meio que gaguejando.
-Festa? – pergunta juntos.
-Sim, é aniversario dos dois, não tem por que passar o dia sem festa!
-Não Anne, esquece nada de festa, odiamos festas e não será você que fará uma para nós! – resmunga Bill se levantando já impaciente.
-Ah pára com isso, é algo tão gostoso de fazer, é tão bom comemorar o dia do nosso nascimento, ah neném faz isso comigo não, to tão animada pra esse dia! Deixa-me fazer vai? – pedi quase que implorando o abraçando por trás.
-Não, e essa é minha ultima palavra! – responde se livrando de meus braços.
-Tom? – olhei para o mesmo com cara de coitada.
-Por mim tudo bem! – responde me fazendo sorrir.
-Ta vendo, seu irmão consegue ser mais mente aberta do que você mesmo!
-Porque o Tom é um moleque que adora farra e bagunça, eu não Anne, esquece não terá festa e não quero tocar mais nesse assunto. – diz mais nervoso ainda.
-Epa moleque não! – se defende Tom rindo.
-Vou fazer mesmo contra sua vontade! – o provoquei cruzando os braços.
-Se fizer te expulso dessa casa! E termina logo de se arrumar, a limusine chega daqui a alguns minutos. – finaliza saindo furioso de nossa presença.
-Ele me odeia não é? – perguntei a Tom que me olhava sério.
-Nada, essa é a forma de demonstrar que te ama! – responde sorrindo de canto.
Confesso que adoro aquele sorriso safado do Tom, olhei para fora da sala observando bem se estava vindo alguém e ao ver que estava limpo me joguei no colo dele.
O beijei com desespero, aqueles lábios carnudos me deixavam louca, ouvi um barulho vindo do lado de fora da sala e ofegante levantei-me rapidamente de seu colo.
-Cachorra! – diz baixinho sorrindo.
-Já terminou de se arrumar Anne? – pergunta Bill com um tom de voz bem mandão.
-Ainda não, só falta pegar a bolsa!
-Aproveita e retoca o Gloss, pois o que tinha, agora está na boca do Tom! – provoca rindo de canto olhando para a boca do Tom com alguns brilhinhos do Gloss.
-Ok! – afirmei saindo sem graça da sala.
-To bonita de Gloss? – brinca Tom fazendo uma voz bem gay fazendo Bill rir.
Subi correndo para o quarto pegando a bolsa e me certificando de que o diário estava bem escondido, possa ser que Tom e sua mente super perversa possa tentar procurá-lo.
Retoquei o Gloss e desci correndo para me encontrar com Bill.
Mesmo com as brincadeiras de Tom, Bill não amoleceu comigo, abriu a porta da limusine como um cavalheiro, mas durante toda viagem não disse uma sequer palavra.
Encontramos-nos com Simone e Gordon na porta do teatro onde ocorreria a tal ópera, Simone estava linda num vestido longo preto com uma simples fenda ao lado, a noite estava agradável, nem frio nem calor, um clima perfeito para apaixonados namorar debaixo da luz da lua brilhante daquela linda noite.
Senti um vento quente tocar meu rosto e num lindo impulso beijei o rosto com expressão fria de Bill.
O mesmo me olhou surpreso, retribui seu olhar com um sorriso meigo.
Entramos, nos sentamos e começamos a ouvir aquele som horrível de ópera junto daquelas vozes grossas de homens e mulheres do coral.
Olhava para todos os lados inquieta, foi quando parei meu olhar no lindo rosto de Bill, aquele perfil perfeito, não pude deixar de reparar naquela linda boca, subindo um nariz perfeitamente desenhado e por fim seu olhar, um olhar perdido e sem rumo, ele também não estava prestando atenção à ópera, estava pensativo e longe dali, foi nesse momento que decidi agir...
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