terça-feira, 19 de abril de 2011

Capítulo 13 - Traição [Parte 1]



"Eu não tenho medo de deixar sair.
Eu não estou com medo de enfrentar a queda.
Mas eu achei além de qualquer dúvida que, você diz mais por não dizer nada..."

Incubus - Pantomime


Assim como prometido, Tom me levou para conhecer a tal casa onde moravam.

Bill teve que sair mais uma vez para resolver “negócios”, fui então apenas com ele.


-Estamos indo conhecer a casa de vocês ou o do Tarzan? – perguntei vendo Tom dirigindo em direção á uma “floresta” reparei também que havia mais dois carros um atrás e outro na frente de nós.

-Segurança Anne, isso é apenas segurança! – diz prestando muita atenção no caminho.

-Mas por quê? – perguntei ainda curiosa.

-Anne minha linda... – eu adorei essa frase. –A policia vive atrás de nós dois, não podemos dar trela, por isso escolhemos um lugar escondido! – explica me deixando admirada com seu jeito lindo de dirigir.

-Entendi... Meu lindo! – brinquei sorrindo, voltando meu olhar para frente.


Depois de ver árvores e mais árvores, chegamos enfim na tal... “casa”.

Na verdade aquilo não era uma casa, e sim uma linda mansão luxuosa, bem a carinha do Bill, se localizava em uma mata fechada, a coisa mais linda que já vi em minha vida, várias piscinas enfeitavam o lugar, um estacionamento com vários carros de diferentes marcas e uma linda arquitetura.


-Acho incrível como a polícia ainda não sabe de tudo isso! – me abismei sentindo o carro parar em frente da porta principal.

-Não tem por que saberem! – diz me puxando para seus lábios.

-Olha que assim eu gamo! – brinquei mordendo os lábios.


Assim que falei tais palavras, Tom sorriu para mim e voltou a me beijar, paramos e nos olhamos “felizes”.

Saímos do carro sendo acompanhados por três “armários” enormes, Tom olhava firmemente para frente, eu estava mais parecendo uma doida olhando para os lados assustada.

Subimos para o segundo andar, logo Tom foi abrindo a primeira porta, ao entrarmos havia três rapazes e uma moça sentados largamente em sofás espalhados pelo enorme quarto, ao verem Tom os três se levantaram, porém a garota continuou sentada... Encarando-me dos pés a cabeça.


-E aí alguma novidade? –Tom pegou em minha mão me levando até uma mesa onde ele se sentou e me fez sentar em seu colo.


A garota me olhou com mais ódio ainda, não pude deixar de reparar em seu olhar, ela me fulminava com eles.


-Nada chefe! – respondeu um dos garotos.


Esse tinha os olhos amendoados, cabelo preto num lindo e perfeito arrepiado, corpo magro, porém dava-se para perceber que era malhado, usava calça jeans preta, uma camisa de frio fina por baixo e outra por cima sobrepondo à primeira.


-Já devem estar sabendo de sábado, certo? – pergunta Tom mexendo em meus cabelos.

-Sim, Bill veio nos avisar! – finalmente a garota se manifestou.


Ela tinha dreads no cabelo, olhos pretos, pele morena jambo, lábios finos e bem delineados, vestia uma calça do mesmo estilo de Tom, apenas um pouco mais apertada, uma regata vermelha e tênis estilo skatista.


-Que ótimo. – Tom me faz levantar, levantando junto. –Bom essa é Anne, de hoje em diante ela também dará as ordens por aqui, vocês terão de respeitá-la da mesma forma que nos respeita! – me surpreendi. –Anne, esses são, Victor, Leo, Mateus e Soraya! – apresenta apontando para cada um deles.


Victor era o garoto que citei antes, Leo era o loirinho baixinho com mechas pretas e roupas normais, Mateus o moreno sério de olhos verdes e sedutores, e Soraya... Sem palavras.

Os três aceitaram a ordem de Tom numa boa, já Soraya...


-Ta zoando não é Tom? – pergunta dando um sorriso de canto meio debochado.

-E por que estaria zoando Soraya! – pergunta juntando as mãos formando uma espécie de balão.

-Tom, quando a conheceu? – pergunta já ficando revoltada.

-Não interessa a você, aqui você é apenas uma empregada e nada mais, contente-se com isso! – responde a deixando boquiaberta.

-Ok... Chefinho! – saiu batendo a porta com raiva.

-Ainda acho que a Soraya é caidinha por você Tom! – brinca Leo caindo novamente no sofá todo esparramado.

-Nunca dei nenhuma esperança á ela! – diz também se jogando num sofá.


Eu claro estava boiando naquela conversa, percebi que teria problemas com Soraya, ela não havia gostado da idéia de receber ordens minhas, e pior, pelo comportamento da mesma, com certeza o que Leo havia dito era verdade, ela gosta de Tom, e sei que isso será um grande problema para mim.


-Vamos Anne, tenho que te mostrar muitas coisas ainda, pra podermos voltar para a casa de minha mãe! – diz Tom ao finalizar a conversa com os garotos.

-Vai almoçar aqui chefe? – pergunta Victor.

-Talvez! – responde olhando para mim.

-To morta de fome... – cheguei bem perto de seus lábios. –Você e Bill me deixaram exausta e faminta! – finalizei o olhando sedutoramente.

-Iremos sim... – diz por fim sorrindo.


Saímos de mãos dadas de dentro do quarto, Soraya estava sentada num baquinho comprido que havia no corredor, emburrada.

Tom a ignorou e beijou-me em sua frente, alimentando mais ainda o ódio que sentiu por mim.

Entramos numa enorme sala que me surpreendeu, havia várias pessoas sentadas em enormes mesas espalhadas no local.


-Já usou droga algum dia Anne? – pergunta andando, observando cada mesa e trabalho das pessoas.

-Nunca! – respondi também observando as pessoas, mas era por pura curiosidade.

-Isso é ecstasy... – pegou alguns “comprimidos” coloridos e com formatos de estrelinhas. –É uma droga sintética, causa alucinações e efeitos estimulantes, de inicio é ate bom usá-la, porém tem seus efeitos para o mal como aumento de calor do corpo, aumento de pressão arterial e batimentos cardíacos acelerados e pode causar desidratação também! - explica indo para outra mesa. –Isso é heroína, ela é injetada na corrente sangüínea, produz a sensação de euforia, prazer intenso e bem-estar, mas em seguida a pessoa entra em um estado de sonolência chegando até se sentir flutuando! – explica dessa vez mostrando duas versões, uma em um saquinho em pó, e outra em um frasquinho em liquido.

-Você ou Bill usam essas coisas? – perguntei curiosa.

-Quando estou nervoso, uso para esquecer-me das coisas, mas Bill não chega nem perto dessa sala, ele odeia essas coisas! – diz indo para outra mesa.

-Entendi!

-E por fim, isso é cocaína, aumenta a freqüência cardíaca, a pressão arterial e causa excitação e ansiedade, quem usa tem a intensa sensação de poder, porém fica apreensivo! – finaliza as explicações mostrando outro pozinho sobre a mesa.

-E como sabe de todas essas informações?

-Bill pesquisou quando viu que eu estava indo longe demais na adolescência, me incentivou continuar apenas com a venda e parar de usar, aliás, somos traficantes, e traficantes não usam drogas, apenas as vende! – responde finalmente olhando em meus olhos dando logo uma piscada maliciosa.


Victor veio nos avisar que o almoço já estava pronto.

Aquele seria o meu primeiro almoço naquela mansão, e o pior de minha vida...

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