Assim como prometido, Tom me levou para conhecer a tal casa onde moravam.
Bill teve que sair mais uma vez para resolver “negócios”, fui então apenas com ele.
-Estamos indo conhecer a casa de vocês ou o do Tarzan? – perguntei vendo Tom dirigindo em direção á uma “floresta” reparei também que havia mais dois carros um atrás e outro na frente de nós.
-Segurança Anne, isso é apenas segurança! – diz prestando muita atenção no caminho.
-Mas por quê? – perguntei ainda curiosa.
-Anne minha linda... – eu adorei essa frase. –A policia vive atrás de nós dois, não podemos dar trela, por isso escolhemos um lugar escondido! – explica me deixando admirada com seu jeito lindo de dirigir.
-Entendi... Meu lindo! – brinquei sorrindo, voltando meu olhar para frente.
Depois de ver árvores e mais árvores, chegamos enfim na tal... “casa”.
Na verdade aquilo não era uma casa, e sim uma linda mansão luxuosa, bem a carinha do Bill, se localizava em uma mata fechada, a coisa mais linda que já vi em minha vida, várias piscinas enfeitavam o lugar, um estacionamento com vários carros de diferentes marcas e uma linda arquitetura.
-Acho incrível como a polícia ainda não sabe de tudo isso! – me abismei sentindo o carro parar em frente da porta principal.
-Não tem por que saberem! – diz me puxando para seus lábios.
-Olha que assim eu gamo! – brinquei mordendo os lábios.
Assim que falei tais palavras, Tom sorriu para mim e voltou a me beijar, paramos e nos olhamos “felizes”.
Saímos do carro sendo acompanhados por três “armários” enormes, Tom olhava firmemente para frente, eu estava mais parecendo uma doida olhando para os lados assustada.
Subimos para o segundo andar, logo Tom foi abrindo a primeira porta, ao entrarmos havia três rapazes e uma moça sentados largamente em sofás espalhados pelo enorme quarto, ao verem Tom os três se levantaram, porém a garota continuou sentada... Encarando-me dos pés a cabeça.
-E aí alguma novidade? –Tom pegou em minha mão me levando até uma mesa onde ele se sentou e me fez sentar em seu colo.
A garota me olhou com mais ódio ainda, não pude deixar de reparar em seu olhar, ela me fulminava com eles.
-Nada chefe! – respondeu um dos garotos.
Esse tinha os olhos amendoados, cabelo preto num lindo e perfeito arrepiado, corpo magro, porém dava-se para perceber que era malhado, usava calça jeans preta, uma camisa de frio fina por baixo e outra por cima sobrepondo à primeira.
-Já devem estar sabendo de sábado, certo? – pergunta Tom mexendo em meus cabelos.
-Sim, Bill veio nos avisar! – finalmente a garota se manifestou.
Ela tinha dreads no cabelo, olhos pretos, pele morena jambo, lábios finos e bem delineados, vestia uma calça do mesmo estilo de Tom, apenas um pouco mais apertada, uma regata vermelha e tênis estilo skatista.
-Que ótimo. – Tom me faz levantar, levantando junto. –Bom essa é Anne, de hoje em diante ela também dará as ordens por aqui, vocês terão de respeitá-la da mesma forma que nos respeita! – me surpreendi. –Anne, esses são, Victor, Leo, Mateus e Soraya! – apresenta apontando para cada um deles.
Victor era o garoto que citei antes, Leo era o loirinho baixinho com mechas pretas e roupas normais, Mateus o moreno sério de olhos verdes e sedutores, e Soraya... Sem palavras.
Os três aceitaram a ordem de Tom numa boa, já Soraya...
-Ta zoando não é Tom? – pergunta dando um sorriso de canto meio debochado.
-E por que estaria zoando Soraya! – pergunta juntando as mãos formando uma espécie de balão.
-Tom, quando a conheceu? – pergunta já ficando revoltada.
-Não interessa a você, aqui você é apenas uma empregada e nada mais, contente-se com isso! – responde a deixando boquiaberta.
-Ok... Chefinho! – saiu batendo a porta com raiva.
-Ainda acho que a Soraya é caidinha por você Tom! – brinca Leo caindo novamente no sofá todo esparramado.
-Nunca dei nenhuma esperança á ela! – diz também se jogando num sofá.
Eu claro estava boiando naquela conversa, percebi que teria problemas com Soraya, ela não havia gostado da idéia de receber ordens minhas, e pior, pelo comportamento da mesma, com certeza o que Leo havia dito era verdade, ela gosta de Tom, e sei que isso será um grande problema para mim.
-Vamos Anne, tenho que te mostrar muitas coisas ainda, pra podermos voltar para a casa de minha mãe! – diz Tom ao finalizar a conversa com os garotos.
-Vai almoçar aqui chefe? – pergunta Victor.
-Talvez! – responde olhando para mim.
-To morta de fome... – cheguei bem perto de seus lábios. –Você e Bill me deixaram exausta e faminta! – finalizei o olhando sedutoramente.
-Iremos sim... – diz por fim sorrindo.
Saímos de mãos dadas de dentro do quarto, Soraya estava sentada num baquinho comprido que havia no corredor, emburrada.
Tom a ignorou e beijou-me em sua frente, alimentando mais ainda o ódio que sentiu por mim.
Entramos numa enorme sala que me surpreendeu, havia várias pessoas sentadas em enormes mesas espalhadas no local.
-Já usou droga algum dia Anne? – pergunta andando, observando cada mesa e trabalho das pessoas.
-Nunca! – respondi também observando as pessoas, mas era por pura curiosidade.
-Isso é ecstasy... – pegou alguns “comprimidos” coloridos e com formatos de estrelinhas. –É uma droga sintética, causa alucinações e efeitos estimulantes, de inicio é ate bom usá-la, porém tem seus efeitos para o mal como aumento de calor do corpo, aumento de pressão arterial e batimentos cardíacos acelerados e pode causar desidratação também! - explica indo para outra mesa. –Isso é heroína, ela é injetada na corrente sangüínea, produz a sensação de euforia, prazer intenso e bem-estar, mas em seguida a pessoa entra em um estado de sonolência chegando até se sentir flutuando! – explica dessa vez mostrando duas versões, uma em um saquinho em pó, e outra em um frasquinho em liquido.
-Você ou Bill usam essas coisas? – perguntei curiosa.
-Quando estou nervoso, uso para esquecer-me das coisas, mas Bill não chega nem perto dessa sala, ele odeia essas coisas! – diz indo para outra mesa.
-Entendi!
-E por fim, isso é cocaína, aumenta a freqüência cardíaca, a pressão arterial e causa excitação e ansiedade, quem usa tem a intensa sensação de poder, porém fica apreensivo! – finaliza as explicações mostrando outro pozinho sobre a mesa.
-E como sabe de todas essas informações?
-Bill pesquisou quando viu que eu estava indo longe demais na adolescência, me incentivou continuar apenas com a venda e parar de usar, aliás, somos traficantes, e traficantes não usam drogas, apenas as vende! – responde finalmente olhando em meus olhos dando logo uma piscada maliciosa.
Victor veio nos avisar que o almoço já estava pronto.
Aquele seria o meu primeiro almoço naquela mansão, e o pior de minha vida...
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