“Eu estou procurando por respostas, por que algo não está certo.
Eu sigo os sinais, estou perto do fogo.
Eu temo de que logo você revele sua mente perigosa..."
Within Temptation - A Dangerous Mind
Hoje completa 15 anos desde o acontecido, as lembranças me vêm à cabeça como se tudo tivesse acontecido ontem, o fogo consumia tudo de uma forma desesperada, meus olhos negros tinham uma cor diferente, era de um vermelho alaranjado.
As lágrimas de uma criança inocente e sozinha caiam a cada lembrança, cada pensamento, tentei fazer de tudo, mas foi tudo em vão. Não consegui acordá-los em tempo, minhas pequenas e frágeis mãos não agüentaram arrastá-los para fora, meu desespero, minha aflição, minha dor, eram meus pais que estavam ali, presos entre chamas que consumiam seus corpos e os levavam cada vez mais para o caminho da morte.
Aos meus cinco anos de idade decidi que minha vida nunca mais seria a mesma, não sorriria mais, amar e nem muito menos ter piedade, naquela idade meus plano já era certo: Vingança a morte de minha família...
[Flash Back]
Era uma noite de sexta-feira, em uma cidadezinha comum do norte da França. Adele era uma cidade simples, casinhas típicas de fazenda, todos tinham terrenos enormes apesar de serem simples. Quase todos haviam herdado as suas respectivas terras de seus pais e avôs, meu pai não tinha sido diferente, mas ao contrário de outros donos de terras, meu pai era invejado por muitos, tinha grandes propriedades e seus animais sempre ganhavam grandes premiações por serem bem cuidados e terem raça.
Nessa noite, meu pai iria receber visitas, Gordon era um empresário do ramo agropecuário, um homem jovem, bonito e muito bem arrumado, havia chegado recentemente da Alemanha para tratar de negócios aqui na França, mas meu pai não queria saber de vender seu único meio de sobrevivência, junto dele vieram também sua esposa e seu dois filhos de criação, eram gêmeos e tínhamos a mesma idade.
Minha mãe havia preparado um grande banquete, com tudo que sabia cozinhar, desde os pratos maravilhosos salgados até seus doces perfeitos que sempre me fazia babar.
Ela era loira, olhos castanhos profundos, um corpo médio, aparência jovem, e um sorriso avassalador.
Viviane Reverbel, 35 anos, linda e alegre era invejada pelas mulheres locais, por ser amada e respeitada por meu pai, sempre vivia sorrindo, nunca houve uma sequer vez que a vi triste ou chorando.
Mas tudo isso iria mudar naquele exato dia.
A noite logo caíra em Adele, minha mãe me arrumou delicadamente com um vestidinho rosa e meus cabelos loiros delicadamente presos em um rabo de cavalo.
Meu amuleto favorito estava no pescoço, um coração de abrir com uma foto pequena minha e de meus pais.
Já com cinco aninhos de idade tinha um amuleto, algo que levarei para toda a vida, que sempre será guardado com toda força que meu coração tem.
Naquela noite senti uma pontada forte em meu coração, era pequena e frágil, mas sentia as coisas muito rapidamente, como se fosse um adulto prevendo uma coisa ruim, e era exatamente o que aconteceria algumas horas seguintes.
-Fradique, tenho grande interesse em comprar suas terras, tenho certeza que faremos um ótimo negocio! – disse Gordon sentado no sofá tomando seu café após a refeição.
-Não estou vendendo minhas terras, elas são minha forma de sustento, não posso vendê-las de uma hora para outra! – continua meu pai, impaciente.
Estava “brincando” com os gêmeos, mas na verdade prestava bastante observando na conversa ao longe, enquanto aqueles dois destruíam minhas coisas.
-Tenho certeza que não recusará minha proposta, será de grande aceitação... – continuou, sendo logo interrompido por meu pai.
-Não! Eu realmente não irei vender minhas terras, foi aqui que nasci, e assim como eu Viviane e Julie também nasceram nessas terras, não irei vendê-las, não mesmo! – diz papai deixando Gordon meramente vermelho de raiva.
-Fradique, tem certeza que não quer vender?
-Não mesmo!
-Ok!
Foi tudo o que Gordon pronunciou antes de se levantar chamando os gêmeos e sua esposa que estava na cozinha com minha mãe.
Após saírem vi meu pai com uma expressão diferente, chamou-me para seus braços, deu-me um beijo na testa e logo após abraçou minha mãe, disse que tudo ficaria bem, que nada iria acontecer de ruim a nossa família.
Mas ele havia se enganado.
Naquela mesma noite, Gordon havia mandado sua possível gangue atear fogo em minha casa, com todos nós dentro.
[/Flash Back]
Hoje vim relembrar esse momento horrível, voltar às origens, pegar nas terras em que nasci, desejar vingança a eles, a família Kaulitz, aquela família que acabou com a minha vida, minhas esperanças, meus sentimentos bons.
Ao observar minha casa pegando fogo em cima de um penhasco que dava uma visão ampla, senti uma delicada mão tocar meu ombro, minhas lágrimas não deixaram ver quem era, mas ao aspirar seu perfume pôde senti-la.
Dona Pietra, era uma senhora amiga de minha mãe, a única que não tinha inveja da mesma, ajudou-a quando eu nasci, minha mãe era inexperiente e não sabia ao certo como cuidar de uma criança recém-nascida, foi então que Dona Pietra se ofereceu.
Naquela noite ela me pegou em seus frágeis braços e me levou até sua casa, onde cuidou de mim por toda a vida até sua então “morte”.
Durante toda minha vida, planejei começar a pôr em prática meu plano de acabar com a vida dos Kaulitz assim que completasse meus 18, mas dona Pietra estava tão sozinha na vida que decidi não abandoná-la dessa forma, e também eu não podia dar as costas aquela que me deu um abrigo e cuidou de mim, me ensinou a ler e escrever, pois tinha medo de me mandar para uma escola e os possíveis assassinos de meus pais me encontrarem.
Hoje tenho 20 anos e já não me chamo mais Juliette Reverbel, essa fora enterrada junto de meus pais que estão debaixo de uma terra úmida e fétida, hoje sou Anne Kirsten Kraft, nome retirado de um livro alemão que li quando pequena, entre os ensinamentos de Pietra, estava o de falar em alemão, isso me ajudaria quando crescer, e ela tinha toda razão...
1 comentários:
AH!
Que saudade disso aqui, que saudade, que saudade!
Você é a melhor escritora, com a melhor fanfic, e eu não posso nem explicar como eu fico feliz de saber que está postando-a novamente.
Eu nunca tinha ouvido a música, mas é linda, e combinou muito com o capítulo. Vou baixar. ♥
Parabéns, e te apoio sempre, viu?
xx
Vanessa.
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