Durante todo o trajeto Bill não disse uma só palavra, apenas acariciava o rosto machucado de Anne ainda desmaiada, Tom olhava no retrovisor o jeito preocupado de seu irmão, nunca Bill se preocupou com alguém assim.
Chegaram rápido no hospital particular, Bill a pegou em seus braços levando até a maca que já esperava na frente á recepção.
-Deus, o que aconteceu com essa garota Bill? – pergunta o jovem doutor observando o corpo nu de Anne.
-Ela foi... É...
-Violentada! – completa vendo o constrangimento de Bill.
-Isso! – a voz de Bill saiu totalmente falhada.
Seus olhos não conseguiam sair do rosto de Anne, marcado por uma tortura desnecessária. Uma lágrima brotou em seu olho, essa que logo foi enxugada antes que rolasse rosto abaixo.
-Marcas de mãos, manchas vermelhas e roxas, corpo dilacerado, boca ferida... Ela realmente foi muito torturada, só não entendo de onde vieram essas marcas roxas no rosto dela, não parecem ser de agressão! – diagnostica observando bem o corpo passando a mão delicadamente em seu rosto.
-Eles tentaram tirar algo dela, e para isso a torturaram enfiando sua cabeça numa bacia com água e gelo! – responde ainda com a voz falhada.
-Terei de mandar fazer alguns curativos nela, tem alguns cortes, talvez seja pelo fato de ter sido arrastada ou algo parecido, mandarei uma enfermeira para os cuidados mais delicados, ela precisará de muitos cuidados Bill, não poderá se estressar fácil e outra, ela ficará marcada para o resto da vida!
Bill não agüentou e deixou a lágrima teimosa cair, e junto dela outras mais, o médico o deixou sozinho com Anne após cobrir seu corpo.
-Desculpe por ser um idiota Anne! Não deveria tê-la mandado nesse roubo, fui um inconseqüente, é tudo culpa minha, me perdoa! – Bill finalmente deixou o choro tomar conta de seu rosto.
-Não teve culpa Bill... – Anne acordou tentando se acomodar na cama de hospital. –Estava indo tudo bem, até acontecer o que aconteceu, mas isso deixarei para resolver depois! – diz pausadamente.
-Então quer dizer que teve “alguém” por trás disso? – pergunta curioso.
-Não quero falar sobre... Conseguiram o que queriam? – muda de assunto reparando no rosto molhado de Bill. –Por que está chorando, anjo? – passou sua mão pelo rosto de Bill.
-Você me deixou assim, a imagem daquele desgraçado te... Não sai da minha cabeça! – diz abaixando o olhar.
-Mas iremos tirar isso juntos da cabeça Bill, não quero lembrar-me desse momento, farei de tudo pra esquecer e sei que com sua ajuda será mais fácil! – diz olhando profundamente nos olhos amendoados de Bill, brilhoso devido às lágrimas. –Nunca pensei que você tivesse esse lado sensível! – comenta sorrindo docemente.
-Eu não era assim Anne... - Bill não entendia, mas sua voz ainda saía falhada.
-Assim como?
-Tom e eu entramos no mundo do crime quando nosso pai foi assassinado, éramos muito apegados a ele, Tom começou a usar drogas e eu... Envolvi-me com gente que não prestava, comecei a roubar e passei a ser impiedoso, até matar eu já matei!
-E você sabe quem matou seu pai? – pergunta curiosa.
-Anne... – começa se ajeitando na cadeira. –Não sei se percebeu, mas nem Tom e nem muito menos eu temos hoje uma relação “saudável” com Gordon, ele nos ajudou a sermos o que somos, porém anos depois de entrar na nossa família, Tom e eu descobrimos que... Foi ele o mentor do assassinato de meu pai...
Todo o restante das palavras de Bill entrava nos ouvidos de Anne como marteladas, então Gordon não só destruiu sua vida, como também destruiu a dos Kaulitz também.
-E por que nunca se vingaram dele? – pergunta saindo do devaneio.
-Pela nossa mãe, ela sofreria demais se perdesse mais uma vez alguém que ama, e infelizmente ela o ama!
-Bill... – Anne olhava para o nada. –Meus pais também foram assassinados... – Bill então levantou seu olhar para fitá-la melhor.
-E você sabe quem foi? – pergunta com uma de suas sobrancelhas erguidas.
-Sim, é por isso que estou aqui!
-Por isso?
-Ele é alemão, eu não vim por acaso para Alemanha Bill, quero vingar a morte injusta de meus pais! – diz com ódio no olhar.
-Estarei ao seu lado para o que precisar, exatamente tudo o que precisar! – diz pegando em sua mão a olhando firmemente.
-Não quero te envolver nisso, você já tem seus problemas, não quero te envolver em mais...
-Esquece isso Anne, estarei ao seu lado para tudo, ok? E não adianta recusar! – insiste lhe oferecendo um lindo sorriso.
Naquele momento Anne se sentiu confusa, o olhar de Bill mostrava que ele não era um ser ruim, de coração frio e sombrio, mostrava que por trás daquele ódio que transbordava em cada gesto ou palavra às vezes dita, havia um homem doce e sensível, alguém que com certeza ela poderia contar... Para o resto da vida.
Próximo capítulo, Anne voltará a narrar!
Obrigada pelas visitas galera. =*
1 comentários:
nossa, tah puxando pro lado sentimental da coisa. Eva não vai gostar disso. mas eu gostei :) :)
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